A linguagem da criança.

Escrito por:  Vanézia Alves
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A linguagem da criança.A linguagem é, evidentemente ao mesmo tempo, uma função e um aprendizado: uma função no sentido de que todo ser humano normal fala e a linguagem constitui um instrumento necessário para ele; um aprendizado, pois os sistemas simbólicos lingüístico, que a criança deve assimilar, é adquirido progressivamente pelo contato com o meio.

Esta aquisição ocorre durante toda a infância, no que o aprendizado da linguagem difere, fundamentalmente, do aprendizado da marcha ou da preensão, que constituem a seqüência necessária do desenvolvimento biológico, sendo idênticas em todos os seres humanos. A linguagem é um aprendizado cultural e está ligada ao meio da criança; Língua étnica, língua culta ou, popular decorrem dos seres humanos que constituem seu lar.

Primeira fase do desenvolvimento normal da linguagem; os ruídos vocais emitidos durante o primeiro ano de vida são conhecidos só o nome de alalação. No início são vogais de diferentes tipos, antes de tudo, vogais anteriores; a, e, mas de tonalidade diferente da tonalidade da língua falada. Em seguida surgem consoantes associadas às vogais. Também elas são muito diferentes entre elas; r, são peculiares a este período de vida e não têm nenhum equivalente na língua falada. Ao que corresponde a lactação: são observadas durante os períodos de bem estar, quando a criança está em seu berço,depois da refeição,freqüentemente quando está só.

Pensa-se que seja uma atividade lúdica um exercício durante o qual a criança sinta prazer em desfrutar o funcionamento de seus órgaos(Pichon). Assim como ela agita seus membros em movimentos de pedalagem ou flexão-extensão num jogo muscular, sem objetivo intencional, do mesmo modo,ela exercita sua musculatura fonatória num jogo vocal eufórico. Efetivamente a partir dos 10 ou 12 meses, a lalação restringe-se; a linguagem que se constitui em seguida não é uma seleção de sons de lalação é um fato novo.

Período de compreensão da linguagem com esboço de expressão verbal. A primeira palavra Entre o fim do primeiro ano e o fim do segundo, a criança amplia rapidamente sua compreensão da linguagem falada a seu redor, linguagem que se associa a gestos e situações vividas que lhe dão sentido. Sua expressão verbal progride muito mais lentamente; durante todo este período a criança compreende melhor do que se exprime. A aparição da primeira palavra a qual se dá importância legítima, visto que se trata do primeiro sinal de linguagem, permanece sempre incerta.`e sobretudo, quando se acompanha o desenvolvimento da criança durante um período ,quando este sinal de linguagem se precisa e se confirma podendo o que se pode falar de primeira palavra embora esta nunca seja compreensível enquanto palavra.


ImageOs 100 ou 200 elementos falados que a criança de 2 anos utiliza são ainda, em sua maior parte, monossílabos, feitos de fragmentos retidos por ela das palavras da linguagem dos pais ( ou de interjeições)Ela não utiliza ainda todos os fonemas e deve adquirir os que lhe faltam. Esta aquisição não se faz numa ordem qualquer se as vogais simples são adquiridas, em geral entre 2 anos e 2 anos e meio, algumas consoantes e, sobretudo, os grupos consonantais o são muito mais tarde. Durante o período de 2 a 3 anos, a criança amplia a um ritmo rápido, seu estoque de palavras e frases, imitando a linguagem adulta, mas não chega ainda a uma realização fiel, em decorrência da sua incapacidade pratica. A maioria das crianças então passa por uma fase de fala-bebê, cujas características principais são bem conhecidas.

A criança diz apenas a primeira ou a última sílaba, ou o primeiro fonema da palavra(ca) por casa) diante de uma palavra di ou trissilábica ela redobra a sílaba fácil, sendo que a primeira sílaba repetida assume o lugar da segunda sílaba qu é omitida. As consoantes que não surgiram ainda são, sobretudo, r,c,s,j, ch, cuja articulação exige um movimento fonatório mais complexo; a criança substitui por uma consoante fácil como labial(m.p,b) ou dental(d,t)ou um l.

As consoantes duplas,são substituídas por uma só, a mais fácil(tra é dito ta) ou por uma consoante diferente de articulação fácil.

As vogais complexas substituídas por uma vogal simples (ié é dito é).

Alguns mecanismos de facilitação são menos aparentes; o emprego de uma consoante ao invés de outra (cra invés de tra) é devido ao fato da articulação do c ser mais próxima da do r do que da do t. Muitas crianças normais não pronunciam o s ou o ch antes de quatro anos.

A criança desde o início procede indubitavelmente, a uma análise da linguagem que ela ouve e a variedade de empregos, adequação destes empregos às situações em que ela as ouve e o exercício mesmo destes empregos, que lhe permite ter acesso aos mecanismos subjacentes.

Este trabalho torna-se imediatamente inconsciente tão logo o resultado seja obtido, isto é, tão logo ela possua o sistema em potencial.



Retirado do livro: Distúrbios da Linguagem da Fala e da Voz na Infância Cl.Launay S.borel-Maisonny 2ª edição editora roca

Agradecimento: Mariana Aparecida Gonçalves Candian